Fenelivro debate vazamento de óleo nas praias 

Fenelivro debate vazamento de óleo nas praias 

O vazamento de óleo no litoral nordestino está sendo encarado como o maior desastre ambiental em extensão do mundo. E o governo federal é apontado como grande culpado desse desastre por não ter tomado providências imediatas para conter a tragédia. As consequências das substâncias tóxicas liberadas pelo petróleo ainda não são conhecidas pois estão sendo estudadas por acadêmicos das universidades nordestinas, a quem estados como Pernambuco recorreram para auxiliar na contenção do problema. O oceanógrafo e biólogo da Universidade de Pernambuco (UPE), Clemente Coelho Júnior, conversou ontem com o público da 5ª Feira Nordestina do Livro (Fenelivro), que acontece no Centro de Convenções até domingo (3), das 9h às 21h, e tem sido um desses especialistas consultados pelo governo de Pernambuco.

 

“Faltou o governo federal acionar o Plano Nacional de Contingência (PNC) para Incidentes de Poluição por Óleo. Também não foi reunido com urgência o Comitê de Suporte do PNC”, avisou Clemente. Desse comitê fazem parte 17 órgãos, entre os quais a Casa Civil da Presidência da República, os ministérios do Meio Ambiente, Agricultura, Ciência e Tecnologia.

 

O especialista destaca o descaso com que foi tratado o assunto pelo governo federal, informando apenas que as investigações sobre a substância eram sigilosas. Clemente também acusa o ministério da Saúde, que declarou que o óleo que chegou ao nosso litoral não seria ‘tão nocivo’. “Baseado em que eles fizeram essa afirmação. Estamos falando de petróleo, que é altamente tóxico. Se o governo e a população soubessem desde o início das características químicas do óleo poderiam ter alertado a população para os perigos de se coletar o óleo sem a adequada proteção”, ressaltou Clemente, para quem o descrédito do governo federal com a ciência vem prejudicando a solução mais eficaz para o desastre ambiental. “Há um impacto agudo e crônico. O agudo é o que a gente consegue ver, como as pessoas intoxicadas, os animais morrendo. Já o impacto crônico é o que a gente não vê. E pode perdurar por décadas. Substâncias como hidrocarboneto e benzeno já estão comprometendo a vida do ecossistema marinho. Se há impacto na cadeia alimentar, o ser humano será também atingido, obviamente”.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *